sábado, 6 de junho de 2009

A Cervejinha

Loira, bela, sensual, demorada, fresca.
Assim foi a cervejinha que bebi logo, mas mesmo logo ( ao jeito de comemoração, estão a ver ? ) a seguir a ter terminado o jogo Benfica 3 - Sporting 1 .
Ainda não refeito de tão belo resultado, eis senão quando escuto que o FCP acabara de empatar com o Guimarães... "Estala a bomba que o foguete vai no ar..." não vão acreditar bem sei, mas foi logo de seguida, mas tipo logo de seguida mesmo ( género linha de montagem ) que abri outra...
O pormenor de estarmos a falar do campeonato nacional de juniores é secundário... diria mesmo insignificante, desnecessário até.
Estava eu embrenhado neste profundo pensamento quando algo me desperta!
Clic... era o barulho da terceira loiraça a ser aberta, desta feita começei por cima... tirei-lhe primeiro... a carica e depois saltei-lhe logo para cima, foi o desvario total !!!!
De cabeça completamente perdida agarrei-me a ela e chamei-lhe de tudo, desde meu amor , a sua ganda vaca... era o desnorte, por falor en desvorte é belhor acanar de esvrever isco pote já new bejo as letrss... iic!!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Estava na Hora

Estava na hora, o futebol tinha acabado e começava agora a longa lista de despedidas.
Desde o primo mais chegado, até ao zéquinha da favela do toral, a todos tinha de dizer adeus. A minha mulher esperava-me já um pouco ansiosa com receio que não chegásse a tempo ao aeroporto, tinha já colocado toda a bagagem na mala do carro e as crianças presas nas suas cadeiras no banco traseiro.
Estava na hora, tinha de regressar a um país que não sendo o meu, pelo menos permite que com o que por lá ganho, a minha familia possa ter uma vida melhor aqui no Brasil.
Entrei no carro e tudo me pareceu demasiado rápido, os beijos os apertos de mão, e os abraços de boa viagem tudo.., no meio do tráfego dei por mim a pensar que já estava com saudades de todos eles mesmo antes de partir mas...
Estava na hora, mal cheguei ao aeroporto fiz o check-in beijei tão forte quanto pude as crianças, dei um beijo daqueles que não se esquecem na minha mulher e avancei, o avião partia dentro de 1 hora.
Tal como programado o avião fez-se à pista e tão suave quanto possivel levantou voo
Rapidamente ganhou altura, passado um pouco e por causa da hora tardia fomos presenteados com uma refeição quente, nunca tenho por costume comer no avião, mas desta feita não sei bem porquê achei toda a comida deliciosa. Já de barriga cheia decidi dormir um pouco afinal a viagem demoraria cerca de 11 horas, duas e meia das quais já haviam passado.
Já ferrado no sono acordo com a turbulência, era forte, talvez mesmo das mais fortes a que algum dia assisti, algumas pessoas rezavam, noutras era visivel a sua inquietação, de repente ficou de dia, um gigantesco raio atingiu em cheio o motor 2 e de seguida todo o aparelho, rapidamente o avião começou a perder altitude, as máscaras de oxigénio cairam dos seus compartimentos...
Estava na hora, peguei no pequeno telemóvel que trazia comigo e escrevi : Joyce ( minha mulher ) Taninha ( minha filha de 3 anos ) e Ricardo ( meu filho de 5 ) eu amo-vos.
Não deu para mais, de seguida um enorme estrondo e um tremendo impacto contra a água...
Estava na hora...
De morrer... e eu morri.

DEDICADO A TODOS OS PASSAGEIROS DO AIRBUS A330 DA AIRFRANCE