segunda-feira, 7 de junho de 2010
A bicicleta
Bem... Aquilo que aqui vos vou deixar, é uma das mais intensas memórias que tenho gravada no meu cérebro... e não só!
Naquela tarde soalheira do final de Junho, encontrava-me em casa.
As aulas tinham acabado, e eu, à semelhança de tantas outras crianças estava a iniciar os meus três longos meses de férias. O dia tinha amanhecido quente e a temperatura tinha subido até aos impressionantes ( para aquela altura ) 31 graus centígrados, nós ( eu e alguns dos miúdos da vizinhança, todos amigos ) decidimos ir para a rua andar de bicicleta!
Foi aí e para consternação geral que constatámos o óbvio... Ninguém tinha bicicleta!!
Dito isto poderão pensar como será possível escrever uma história sobre uma bicicleta... sem a mesma.
Acreditem, é possível.
Com tão arreliadora dificuldade à nossa frente começámos a magicar como iríamos dar a volta à coisa...
Depois de muito meditarmos e um pouco à laia do Vaticano ouve fumo branco! O Jorge afinal tinha uma bicicleta! Bom... lá bicicleta era, tinha era o garfo ( ligação do guiador ao resto da bicicleta ) partido, e pronto, era para crianças com um terço da nossa idade, mas isso era um pormenor insignificante diga-se.
Decididos pusemos as nossas mentes a trabalhar, vai daí lembrei-me que com um cabo de vassoura velho metido por dentro do tubo do garfo da bicicleta e depois com dois pregos ou parafusos a atravessar o tubo e o cabo da vassoura a coisa resolvia-se, dito e feito.
Claro está, que como privilégio de ter sido a alminha que teve tão luminosa ideia, tive direito a ser o primeiro a ensaiar a "nova" bicicleta...
Convêm aqui, e num pequeno aparte referir, que a localização onde toda esta acção se desenrola
é nem mais nem menos que uma rua de Lisboa, daquelas que estão directamente ligadas a uma das sete colinas pelas quais a cidade é conhecida.
Agora que já estão situados imaginem a situação... Cinco crianças na casa dos quinze anos, sendo que uma delas está sentada numa "bicicleta" para idades até aos sete anos ( sejamos benevolentes ), no cimo de uma rua cuja inclinação rondará seguramente os 20%, com um cabo de uma vassoura a segurar o guiador. Parecia o RED BULL dos anos 80.
A louca descida começou, de inicio com algum receio, mas a meio da descida e já em impressionante velocidade o medo deu lugar ao PÂNICO !!!
O cabo de vassoura com tanta trepidação e força acabara de ceder... Eu ( sim não esqueçam que era "EU" quem conduzia a bicicleta) vi-me de repente, qual desenho animado, a descer uma rua a talvez trinta ou quarenta quilómetros hora sentado numa bicicleta com um guiador na mão mas... sem que este tivesse ligado à dita bicicleta, logo sem qualquer controlo sobre a mesma!!
Como naquela época ainda não era conhecido por cá o já referido RED BULL e eu não tinha asinhas, tive como primeiro pensamento "Estou lixado" ( sim que nós não diziamos asneiras... outros tempos).
De imediato, em questão de milésimos de segundo, arquitectei a forma de provocar menos estragos, e vai daí, pimba!!
Bicicleta para uma lado, contra a parede de um prédio, e eu para o outro, a deslizar pelo alcatrão até acabar imobilizado debaixo de um carro que se encontrava estacionado.
Escusado será dizer que para além de ter parte dos joelhos, canelas, pés, mãos, cotovelos e até ombros em sangue, o meu primeiro pensamento foi como é que eu iria explicar à minha mãe a roupa toda rota com que ia aparecer em casa... A inocência e o respeito eram tão bonitos.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
I lóbe you
O trigo crescia em direcção ao sol e precisava ser rapidamente colhido.
Eu por esta altura estava também a iniciar as minhas tarefas diárias, ordenhar as vacas, colocar feno fresco ao gado, colher os ovos das galinhas, atear a lenha do forno do pão e finalmente se o tempo sobrasse ir aos pássaros com a minha fisga.
Nesse dia decidi afastar-me um pouco mais.
Com o pensamento na lua lá fui observando, correndo, saltando muros e dei comigo à beira do ribeiro a uns bons quinhentos metros de casa. Por cima de mim bem no alto de uma ramada de oliveira... um belo pardal de asa branca!
Agachei-me, apontei e no preciso momento em que vou soltar os elásticos oiço uma gargalhada!
Cai de costas com o susto. Rapidamente me recompus e tentei ver de onde tinha vindo tão sonoro riso, um pouco mais abaixo e à direita dei com uma menina linda, talvez a mais linda que tinha visto até essa data, loira com longos cabelos aos canudos caindo-lhe pelas costas.
Foi uma aparição divina, sim divina, pois só assim poderia explicar aquelas palavras das quais não percebia patavina. Seria isto uma estrangeira?
Já tinha ouvido falar delas pela boca do Ti Manel da Surda, ao que contava todas elas eram louras altas e bonitas e ao que dizia era também muito comum vê-las vermelhas que nem verdadeiros tomates, depois de um valente escaldão do sol.
Aproximei-me... escondido claro está, subi para cima de um sobreiro e fiquei a observar, a menina tomava banho no ribeiro em alegre brincadeira com o seu canito, e que giro que ele era!
Estava decidido ía falar com ela!
Bom... falar é como quem diz, que de estrangeiro não sei nada, mas cá me haveria de ocorrer alguma coisa, esgueirei-me um pouco mais pelo sobreiro e de súbito aconteceu. O pé!
O pé escorregou, as mãos não me conseguiram segurar, e eu vim do céu à terra em menos de um farelo. Foi com pompa e circunstancia que fiz a minha entrada... melhor dizendo, com um valente estrondo e com não menos grande grito.
Ao ouvir tão grande algazarra, a menina que por esta altura já tinha o canito a ladrar na minha direcção, assustou-se, também ela gritou, e desatou a fugir...
Fiquei de joelhos a vê-la correr e pensei... "tinha de ser, nem me deu tempo de lhe dizer, I lóbe you!"
sábado, 6 de junho de 2009
A Cervejinha
Assim foi a cervejinha que bebi logo, mas mesmo logo ( ao jeito de comemoração, estão a ver ? ) a seguir a ter terminado o jogo Benfica 3 - Sporting 1 .
Ainda não refeito de tão belo resultado, eis senão quando escuto que o FCP acabara de empatar com o Guimarães... "Estala a bomba que o foguete vai no ar..." não vão acreditar bem sei, mas foi logo de seguida, mas tipo logo de seguida mesmo ( género linha de montagem ) que abri outra...
O pormenor de estarmos a falar do campeonato nacional de juniores é secundário... diria mesmo insignificante, desnecessário até.
Estava eu embrenhado neste profundo pensamento quando algo me desperta!
Clic... era o barulho da terceira loiraça a ser aberta, desta feita começei por cima... tirei-lhe primeiro... a carica e depois saltei-lhe logo para cima, foi o desvario total !!!!
De cabeça completamente perdida agarrei-me a ela e chamei-lhe de tudo, desde meu amor , a sua ganda vaca... era o desnorte, por falor en desvorte é belhor acanar de esvrever isco pote já new bejo as letrss... iic!!
terça-feira, 2 de junho de 2009
Estava na Hora
Desde o primo mais chegado, até ao zéquinha da favela do toral, a todos tinha de dizer adeus. A minha mulher esperava-me já um pouco ansiosa com receio que não chegásse a tempo ao aeroporto, tinha já colocado toda a bagagem na mala do carro e as crianças presas nas suas cadeiras no banco traseiro.
Estava na hora, tinha de regressar a um país que não sendo o meu, pelo menos permite que com o que por lá ganho, a minha familia possa ter uma vida melhor aqui no Brasil.
Entrei no carro e tudo me pareceu demasiado rápido, os beijos os apertos de mão, e os abraços de boa viagem tudo.., no meio do tráfego dei por mim a pensar que já estava com saudades de todos eles mesmo antes de partir mas...
Estava na hora, mal cheguei ao aeroporto fiz o check-in beijei tão forte quanto pude as crianças, dei um beijo daqueles que não se esquecem na minha mulher e avancei, o avião partia dentro de 1 hora.
Tal como programado o avião fez-se à pista e tão suave quanto possivel levantou voo
Rapidamente ganhou altura, passado um pouco e por causa da hora tardia fomos presenteados com uma refeição quente, nunca tenho por costume comer no avião, mas desta feita não sei bem porquê achei toda a comida deliciosa. Já de barriga cheia decidi dormir um pouco afinal a viagem demoraria cerca de 11 horas, duas e meia das quais já haviam passado.
Já ferrado no sono acordo com a turbulência, era forte, talvez mesmo das mais fortes a que algum dia assisti, algumas pessoas rezavam, noutras era visivel a sua inquietação, de repente ficou de dia, um gigantesco raio atingiu em cheio o motor 2 e de seguida todo o aparelho, rapidamente o avião começou a perder altitude, as máscaras de oxigénio cairam dos seus compartimentos...
Estava na hora, peguei no pequeno telemóvel que trazia comigo e escrevi : Joyce ( minha mulher ) Taninha ( minha filha de 3 anos ) e Ricardo ( meu filho de 5 ) eu amo-vos.
Não deu para mais, de seguida um enorme estrondo e um tremendo impacto contra a água...
Estava na hora...
De morrer... e eu morri.
DEDICADO A TODOS OS PASSAGEIROS DO AIRBUS A330 DA AIRFRANCE
quarta-feira, 20 de maio de 2009
UMA AJUDINHA....
Domingo, 26 de Abril de 2009 16:40
Uma ajudinha... é tudo o que peço.
Sim, e acreditem que VALE a pena.
Esta ajuda tem como destino o bolso do nosso "querido" amigo JONATHAN VALE E AZEVEDO.
Deus me livre esclamam vocês... mas saibam que não o deveriam fazer, pois ao abrigo das inúmeras ajudas que o nosso governo tem dado às pequenas e médias empresas, o nosso "amigo" poderia ter pedido uma ajudinha de alguns milhões de euros do bolso do contribuinte ( eu e vocês ) para tentar recuperar a sua empresa do pedido de insolvência de que foi alvo!!
À pois é bébé... De tão atarefado que anda nem lhe ocorreu tal ideia, e a meu ver ainda bem.
Mas se virmos bem as coisas, tal como qualquer outro, também ele teria direito. Pois se banqueiros de renome na nossa praça fazem o que fazem, porque insistem em chamar de aldrabão e bandido ao nosso "carequinha" JONATHAN??
Ele apenas investe todo o dinheiro que põem á sua disposição em várias contas off-shore das quais várias companhias ficticias suas, são proprietárias, agora uma pergunta inocente... pode-se exigir a essas companhias que com a crise actual dêem lucro??? Claro que não.
Volta JONATHAN, estás perdoado, assim como assim vais fazendo de Robin dos Bosques e nós os pobres ainda nos vamos rindo à tua custa.
Haja alegria.
Benvidos ao Far West
Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008 23:42
" O sol caí calmamente no horizonte, o silêncio invade a cidade, e na torre da igreja o ponteiro aproxima-se rápidamente das 20 horas...
De repente, no meio de uma nuvem de pó, um tiro ecôa... " Estamos no Far West ?
Naaa, é apenas mais um assalto, sim já só cá faltava !
Depois do deserto... temos o Far West . E perguntamos nós, não se estava mesmo a ver que ía dar nisto ?
Quando se alteram leis sem se ter a menor noção do que se está a fazer é o que acontece, é que apesar de muitos deles não saberem ler ( já são poucos ) pelo menos conseguem ouvir e assim que se aperceberam que por roubo, tentativa de assalto, tentativa de homicidio, carjacking, a pena a que se candidatam é " Termo de identidade e residência " os delinquentes da nossa praça ( e de outras que aproveitam para vir até cá ) transformaram o nosso país num autêntico Far West.
Temo que qualquer dia teremos de ser nós próprios a criar a nossa própria segurança, batendo-nos galhardamente em qualquer duelo ao pôr do sol numa qualquer rua das nossas cidades.
No meio disto tudo resta perguntar, onde pára o xerife ?
Já agora e para quem ainda não se apercebeu, esta foi uma das maneiras que o Sr. engenheiro arranjou para poupar alguns cobres ao Orçamento de Estado, ou seja menos presos.. menos prisões.. menos funcionários prisionais.. menos custos..BINGO !
Vamos ter de o enfiar num barril de alcatrão, enchê-lo de penas de galinha e corrê-lo ao pontapé á velha maneira do FAR WEST.
A puta que os pariu !!!
Sábado, 29 de Março de 2008 22:44
Pois é... logo uma entrada a pés juntos que é para acalmar os calores.
Tudo isto para dizer que aqueles cabrões querem dar cabo da vista aqui do meu miradouro. Primeiro vieram em pézinhos de lã dizer-me que afinal, fazia falta mais uma pontezinha sobre o Tejo a ligar as duas margens junto a Lisboa, e depois enchem o peito de ar, dão dois peidos e dizem com o maior descaramento que vão ligar Chelas ao Barreiro!
Se ainda fosse para ligar Chelas à Costa da Caparica ou ao Meco eu ainda fechava os olhos, assim como assim sempre íamos directos para a praia sem passar horas infindáveis na antiga ponte Salazar ( mais conhecida por ponte sobre o Tejo, a original e única ) ou então sem ir dar uma volta ao bilhar grande que é como quem diz ao deserto passando pelo Samouco atravessando a ponte Vasco da Gama. Agora, Chelas-Barreiro ???
Puta que os pariu, façam um túnel, pronto bem sei que depois do espectáculo que foi a estação de metro do terreiro do paço o mais certo era ficarmos com um novo oceanário em vez duma nova travessia entre as duas margens, mas pronto não se pode ter tudo.
