OS ACONTECIMENTOS SEGUINTES, ACONTECERAM ENTRE AS 15:00 E AS 16:00 DE UM DIA DE VERÃO DO ANO DE 1978...
Bem... Aquilo que aqui vos vou deixar, é uma das mais intensas memórias que tenho gravada no meu cérebro... e não só!
Naquela tarde soalheira do final de Junho, encontrava-me em casa.
As aulas tinham acabado, e eu, à semelhança de tantas outras crianças estava a iniciar os meus três longos meses de férias. O dia tinha amanhecido quente e a temperatura tinha subido até aos impressionantes ( para aquela altura ) 31 graus centígrados, nós ( eu e alguns dos miúdos da vizinhança, todos amigos ) decidimos ir para a rua andar de bicicleta!
Foi aí e para consternação geral que constatámos o óbvio... Ninguém tinha bicicleta!!
Dito isto poderão pensar como será possível escrever uma história sobre uma bicicleta... sem a mesma.
Acreditem, é possível.
Com tão arreliadora dificuldade à nossa frente começámos a magicar como iríamos dar a volta à coisa...
Depois de muito meditarmos e um pouco à laia do Vaticano ouve fumo branco! O Jorge afinal tinha uma bicicleta! Bom... lá bicicleta era, tinha era o garfo ( ligação do guiador ao resto da bicicleta ) partido, e pronto, era para crianças com um terço da nossa idade, mas isso era um pormenor insignificante diga-se.
Decididos pusemos as nossas mentes a trabalhar, vai daí lembrei-me que com um cabo de vassoura velho metido por dentro do tubo do garfo da bicicleta e depois com dois pregos ou parafusos a atravessar o tubo e o cabo da vassoura a coisa resolvia-se, dito e feito.
Claro está, que como privilégio de ter sido a alminha que teve tão luminosa ideia, tive direito a ser o primeiro a ensaiar a "nova" bicicleta...
Convêm aqui, e num pequeno aparte referir, que a localização onde toda esta acção se desenrola
é nem mais nem menos que uma rua de Lisboa, daquelas que estão directamente ligadas a uma das sete colinas pelas quais a cidade é conhecida.
Agora que já estão situados imaginem a situação... Cinco crianças na casa dos quinze anos, sendo que uma delas está sentada numa "bicicleta" para idades até aos sete anos ( sejamos benevolentes ), no cimo de uma rua cuja inclinação rondará seguramente os 20%, com um cabo de uma vassoura a segurar o guiador. Parecia o RED BULL dos anos 80.
A louca descida começou, de inicio com algum receio, mas a meio da descida e já em impressionante velocidade o medo deu lugar ao PÂNICO !!!
O cabo de vassoura com tanta trepidação e força acabara de ceder... Eu ( sim não esqueçam que era "EU" quem conduzia a bicicleta) vi-me de repente, qual desenho animado, a descer uma rua a talvez trinta ou quarenta quilómetros hora sentado numa bicicleta com um guiador na mão mas... sem que este tivesse ligado à dita bicicleta, logo sem qualquer controlo sobre a mesma!!
Como naquela época ainda não era conhecido por cá o já referido RED BULL e eu não tinha asinhas, tive como primeiro pensamento "Estou lixado" ( sim que nós não diziamos asneiras... outros tempos).
De imediato, em questão de milésimos de segundo, arquitectei a forma de provocar menos estragos, e vai daí, pimba!!
Bicicleta para uma lado, contra a parede de um prédio, e eu para o outro, a deslizar pelo alcatrão até acabar imobilizado debaixo de um carro que se encontrava estacionado.
Escusado será dizer que para além de ter parte dos joelhos, canelas, pés, mãos, cotovelos e até ombros em sangue, o meu primeiro pensamento foi como é que eu iria explicar à minha mãe a roupa toda rota com que ia aparecer em casa... A inocência e o respeito eram tão bonitos.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)
