Estava frio, a manhã amanhecera fresca e como sempre fazia tinha observado os meus pais partirem em direcção ao campo.
O trigo crescia em direcção ao sol e precisava ser rapidamente colhido.
Eu por esta altura estava também a iniciar as minhas tarefas diárias, ordenhar as vacas, colocar feno fresco ao gado, colher os ovos das galinhas, atear a lenha do forno do pão e finalmente se o tempo sobrasse ir aos pássaros com a minha fisga.
Nesse dia decidi afastar-me um pouco mais.
Com o pensamento na lua lá fui observando, correndo, saltando muros e dei comigo à beira do ribeiro a uns bons quinhentos metros de casa. Por cima de mim bem no alto de uma ramada de oliveira... um belo pardal de asa branca!
Agachei-me, apontei e no preciso momento em que vou soltar os elásticos oiço uma gargalhada!
Cai de costas com o susto. Rapidamente me recompus e tentei ver de onde tinha vindo tão sonoro riso, um pouco mais abaixo e à direita dei com uma menina linda, talvez a mais linda que tinha visto até essa data, loira com longos cabelos aos canudos caindo-lhe pelas costas.
Foi uma aparição divina, sim divina, pois só assim poderia explicar aquelas palavras das quais não percebia patavina. Seria isto uma estrangeira?
Já tinha ouvido falar delas pela boca do Ti Manel da Surda, ao que contava todas elas eram louras altas e bonitas e ao que dizia era também muito comum vê-las vermelhas que nem verdadeiros tomates, depois de um valente escaldão do sol.
Aproximei-me... escondido claro está, subi para cima de um sobreiro e fiquei a observar, a menina tomava banho no ribeiro em alegre brincadeira com o seu canito, e que giro que ele era!
Estava decidido ía falar com ela!
Bom... falar é como quem diz, que de estrangeiro não sei nada, mas cá me haveria de ocorrer alguma coisa, esgueirei-me um pouco mais pelo sobreiro e de súbito aconteceu. O pé!
O pé escorregou, as mãos não me conseguiram segurar, e eu vim do céu à terra em menos de um farelo. Foi com pompa e circunstancia que fiz a minha entrada... melhor dizendo, com um valente estrondo e com não menos grande grito.
Ao ouvir tão grande algazarra, a menina que por esta altura já tinha o canito a ladrar na minha direcção, assustou-se, também ela gritou, e desatou a fugir...
Fiquei de joelhos a vê-la correr e pensei... "tinha de ser, nem me deu tempo de lhe dizer, I lóbe you!"
quinta-feira, 8 de abril de 2010
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